🎬 Dica de filme: A Lista da Minha Vida
- Bruna Barbosa Ribeiro

- 27 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O filme A Lista da Minha Vida conta a história de uma mulher que, após a morte da mãe, recebe uma lista de desejos que havia escrito no passado. Ao tentar cumprir cada item, ela inicia um processo que vai muito além de realizar tarefas: passa a revisitar sua história, seus vínculos e, principalmente, a si mesma.
A partir disso, o filme nos ajuda a compreender aspectos importantes do luto e da reorganização emocional. E aqui trarei reflexões a partir do olhar da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).
Pela lente da TCC, o luto vivido no filme pode ser compreendido como um momento em que pensamentos automáticos negativos, emoções intensas e comportamentos de evitação passam a se reforçar mutuamente.
Após a perda, é comum surgirem pensamentos como:
“Não sei mais quem eu sou sem essa pessoa”
“Seguir em frente é desrespeitar quem morreu”
“Não vou dar conta sozinha”
Esses pensamentos influenciam diretamente as emoções (tristeza profunda, culpa, medo) e os comportamentos (isolamento, paralisação, dificuldade de escolha).
A lista como ativação comportamental
Na TCC, a ativação comportamental é uma estratégia importante, especialmente em contextos de luto e humor deprimido. A lista funciona exatamente assim: ela incentiva pequenas ações, mesmo quando a motivação ainda não existe.
Na prática, aprendemos que:
agir pode vir antes de se sentir melhor.
Ao se movimentar, a protagonista começa a ter novas experiências emocionais, o que contribui para a flexibilização dos pensamentos rígidos e para a retomada gradual do senso de vida.
Reestruturação cognitiva ao longo da história
Conforme a protagonista avança na lista, seus pensamentos vão sendo questionados pela experiência vivida. Ela começa a perceber que:
seguir vivendo não apaga o vínculo;
sentir alegria não anula o amor;
escolher por si não é abandonar o outro.
Esse movimento é muito próximo da reestruturação cognitiva, quando o sujeito aprende a olhar para seus pensamentos com mais capacidade de analisar e menos fusão emocional.
Emoções difíceis não são o problema
Na TCC, não buscamos eliminar emoções, mas aprender a compreendê-las e regulá-las. O filme mostra que permitir-se sentir, sem evitar ou julgar é essencial para a elaboração do luto.
Por fim, A Lista da Minha Vida lembra que o sofrimento não está apenas na perda em si, mas também na forma como interpretamos o que aconteceu e como reagimos a essa experiência. A dor é inevitável, mas o modo como nos relacionamos com ela pode transformar profundamente o caminho que se segue.
Com apoio, torna-se possível construir novos significados mesmo após vivências dolorosas. O sofrimento não precisa ser negado para que a vida continue; ele pode ser integrado à história de forma mais gentil e consciente.
Buscar apoio psicológico é especialmente importante quando a dor permanece intensa, há isolamento, perda de sentido, sintomas depressivos ou dificuldade de seguir com a vida. A psicoterapia oferece um espaço seguro para nomear emoções, compreender reações e reconstruir sentidos.
Para finalizarmos, vale lembrar que mudanças na forma de pensar, agir e se relacionar com as próprias emoções podem abrir espaço para uma vida que, embora diferente do que foi imaginado, ainda pode ser significativa, possível e digna de ser vivida.
Psicóloga Bruna Barbosa Ribeiro - CRP 06/132943





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