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Todo relacionamento passa por três fases, e quase ninguém fala sobre a segunda

  • Foto do escritor: Bruna Barbosa Ribeiro
    Bruna Barbosa Ribeiro
  • há 13 horas
  • 3 min de leitura

Relacionamentos amorosos não acontecem de forma estática. Eles se transformam ao longo do tempo, atravessando fases emocionais e psicológicas que, embora variem de casal para casal, costumam seguir três grandes estágios: a idealização, a realidade e a construção consciente do vínculo.


Compreender essas etapas não serve para “rotular” relações, mas para trazer mais consciência sobre o que sentimos e vivemos dentro delas.


Acompanha comigo:


1. O estágio da idealização: quando o amor é projeção


No início de um relacionamento, é comum que tudo pareça intenso, fácil e promissor. Essa fase costuma ser marcada por encantamento, desejo, curiosidade e uma sensação de conexão quase mágica. Há uma ativação significativa de neurotransmissores ligados ao prazer e à motivação, como dopamina e ocitocina, que intensificam a sensação de bem-estar ao lado da pessoa amada.


Esse é o momento das projeções. Projetamos no outro aquilo que desejamos viver, aquilo que acreditamos precisar e até aquilo que nos falta. Vemos qualidades com mais facilidade do que limites. O outro é percebido como alguém que “encaixa”, “completa” ou “salva”.


Essa fase é importante porque cria vínculo, aproxima e desperta o desejo de permanência. No entanto, ela também é parcial. Não vemos o outro por inteiro, mas vemos o que conseguimos perceber através das lentes do encantamento.


2. O estágio da realidade: quando o amor encontra o humano


Com o tempo, a idealização começa a se dissolver. Diferenças aparecem. Frustrações surgem. Aquilo que antes parecia apenas encantador passa a revelar também imperfeições, limites e incompatibilidades.


Essa etapa costuma ser a mais desafiadora e, muitas vezes, a mais decisiva. É quando o relacionamento deixa de ser sustentado pela fantasia e passa a ser confrontado pela realidade. A convivência mostra ritmos diferentes, formas distintas de lidar com emoções, expectativas nem sempre alinhadas.


É nesse momento que padrões emocionais mais profundos emergem: medo de abandono, necessidade excessiva de validação, dificuldade de diálogo, evitação de conflitos ou dependência emocional. O outro deixa de ser apenas fonte de prazer e passa também a ser espelho de nossas feridas.


Muitos relacionamentos se encerram aqui, não necessariamente por falta de amor, mas por dificuldade de sustentar a frustração e o confronto com o real. Permanecer nessa fase exige maturidade emocional, comunicação e disposição para ver o outro como ele é, e não como gostaríamos que fosse.


3. O estágio da construção consciente: quando amar vira escolha


Quando o casal atravessa a fase da realidade com diálogo e disponibilidade emocional, surge a possibilidade do terceiro estágio: a construção consciente do vínculo.


Aqui, o amor deixa de ser apenas emoção e passa a ser também decisão. Não no sentido de obrigação, mas de escolha cotidiana. Escolher permanecer, escolher cuidar, escolher negociar, escolher crescer juntos.


Nesse estágio, há menos idealização e mais autenticidade. O casal reconhece limites e potencialidades, aprende a lidar com conflitos de forma mais madura e desenvolve um senso de parceria. A relação passa a ser um espaço de construção.


A intimidade se aprofunda porque existe espaço para vulnerabilidade real. Não é mais necessário parecer sempre interessante, forte ou impecável. É possível ser humano.


Esse estágio não é estático nem permanente. Relacionamentos transitam entre fases ao longo da vida, especialmente diante de mudanças, crises ou novas etapas. No entanto, quando há consciência emocional e disponibilidade para o diálogo, o vínculo tende a se tornar mais sólido e verdadeiro.


No fundo, relacionamentos amorosos não se sustentam apenas pela intensidade do início, mas pela capacidade de atravessar a realidade e, ainda assim, escolher construir. Porque amar não é apenas sentir. Amar é, também, sustentar, compreender e crescer em conjunto.

 

Psicóloga Bruna Barbosa Ribeiro – CRP 06/132943



 

Referências bibliográficas


BOWLBY, John. Apego e perda: a natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

AINSWORTH, Mary D. S. et al. Padrões de apego: um estudo psicológico da situação estranha. (Obra original: Patterns of Attachment, 1978). Traduções e edições em português disponíveis em coletâneas sobre Teoria do Apego.

FISHER, Helen. Por que amamos: a natureza e a química do amor romântico. Rio de Janeiro: Record, 2006.

(Original: Why We Love: The Nature and Chemistry of Romantic Love, 2004).

JOHNSON, Sue. Apegados: a nova ciência dos relacionamentos adultos e como ela pode ajudar você a encontrar — e manter — o amor. São Paulo: Planeta, 2018.

(Baseado em Hold Me Tight, 2008).

DIAMOND, Jed. Os cinco estágios do amor. (The 5 Stages of Love). Publicações em português disponíveis em artigos e edições independentes, 2010.

 
 
 

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