Falácia do Planejamento: o que a psicologia explica sobre metas que falham
- Bruna Barbosa Ribeiro

- há 5 minutos
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Você já percebeu como, no início do ano, tudo parece caber na agenda? Mais projetos, mais hábitos, mais disposição, mais “agora vai”. Mas, com o passar das semanas, o tempo encurta, a energia oscila e aquilo que parecia simples começa a pesar.
Esse desencontro entre o plano ideal e a vida real não é falta de força de vontade. A psicologia tem um nome para isso: falácia do planejamento.
O que é a falácia do planejamento
A falácia do planejamento é um viés cognitivo que nos leva a subestimar o tempo, o esforço e os obstáculos necessários para concluir tarefas ou alcançar objetivos. Ao planejar, tendemos a imaginar que tudo ocorrerá conforme o melhor cenário possível, ignorando imprevistos, cansaço, demandas emocionais e interrupções naturais da rotina.
Em outras palavras, planejamos com base em quem gostaríamos de ser, e não em quem realmente somos no cotidiano.
Quem criou o termo
O conceito foi formulado pelos psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky, pioneiros no estudo dos vieses cognitivos. Eles observaram que pessoas fazem previsões excessivamente otimistas sobre o próprio desempenho, mesmo quando experiências anteriores mostram que essas previsões raramente se confirmam.
Pesquisas importantes
Em seus estudos, Kahneman e Tversky demonstraram que, ao planejar, usamos principalmente a chamada perspectiva interna: focada em intenções, desejos e motivação (“vou me dedicar mais”, “dessa vez será diferente”). O problema é que deixamos de lado a perspectiva externa, que considera dados objetivos, como quanto tempo tarefas semelhantes levaram no passado, quais obstáculos costumam surgir e como nosso nível de energia varia ao longo do processo.
Esses achados ajudaram a explicar por que projetos atrasam, metas não se sustentam e planejamentos excessivamente rígidos acabam gerando frustração. Esse corpo de pesquisa foi tão relevante que contribuiu para que Kahneman recebesse o Prêmio Nobel de Economia, ao mostrar como decisões humanas frequentemente se afastam da racionalidade ideal.
Como a falácia aparece no planejamento do ano
No cotidiano, a falácia do planejamento costuma se manifestar em pensamentos como:
“Esse ano vai ser diferente.”
“Se eu me organizar melhor, dou conta.”
“Não vai ser tão cansativo assim.”
Quando o planejamento ignora limites reais, o resultado não é produtividade, é culpa, autocrítica e sensação de fracasso. O problema não está na meta em si, mas em como ela foi construída.
Como evitar a falácia do planejamento
Planejar o ano de forma mais saudável não significa sonhar menos, e sim planejar com mais realismo e compaixão. Algumas estratégias ajudam:
Use o passado como referência, não apenas o desejo futuro.
Acrescente margens de tempo e descanso aos seus planos.
Divida grandes metas em passos menores e sustentáveis.
Considere sua energia emocional, não apenas as horas disponíveis.
Encare o planejamento como algo flexível, que pode (e deve) ser ajustado.
Um bom planejamento não é aquele que parece perfeito no papel, mas o que cabe na vida que você realmente vive.
Psicóloga Bruna Barbosa Ribeiro - CRP 06/132943
Referência: Kahneman, D., & Tversky, A. (1979). Intuitive prediction: Biases and corrective procedures.





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