O bullying não termina quando a infância acaba


A gente cresce, envelhece, constrói relações, assume responsabilidades, mas nada disso nos torna imunes à violência psicológica.
Há adultos que continuam sendo ridicularizados, excluídos, humilhados e transformados em motivo de piada. Pessoas que precisam lidar com comentários cruéis, constrangimentos públicos e ataques disfarçados de humor. Às vezes, a violência vem acompanhada de risadas. Outras vezes, acontece diante de pessoas que assistem, silenciam ou até participam, sem reconhecer a gravidade do que está acontecendo.
Muitas vezes, quem sofre a violência ainda precisa lidar com a acusação de ser sensível demais, de não saber brincar ou de levar tudo para o lado pessoal. Mas quando a diversão de alguém depende da humilhação de outra pessoa, precisamos questionar o que estamos chamando de brincadeira.
Pesquisas científicas apontam associações entre a exposição ao bullying e o desenvolvimento de sofrimento psicológico significativo, incluindo sintomas depressivos, ideação suicida e comportamento suicida. Isso não significa que toda pessoa exposta ao bullying apresentará essas consequências, tampouco que o suicídio possa ser explicado por um único fator. Significa que estamos falando de uma violência cujos impactos precisam ser levados a sério.
A vida adulta não nos torna emocionalmente invulneráveis. Não existe idade em que a humilhação passe a ser inofensiva, nem maturidade que transforme a crueldade em algo aceitável.
Uma das coisas que mais precisamos amadurecer enquanto sociedade é a compreensão de que o sofrimento de alguém não deveria ser o entretenimento de ninguém.
Psicóloga Bruna Barbosa Ribeiro - CRP 06/132943





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